PF prende presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo, por suspeita de liderar esquema de R$ 75 milhões

Operação Tomada de Contas: PF prende presidente do TCE-MT por suspeita de liderar esquema de R$ 75,8 milhões
Sérgio Ricardo de Almeida e mais cinco investigados foram presos. Ação aponta “folha paralela”, saques milionários em mochilas, lavagem de dinheiro com fazendas de cavalos e apreensão de dinheiro vivo, carros de luxo e relógios.

Foto: Reprodução
Na manhã desta quinta-feira (29), a Polícia Federal deflagrou a Operação Tomada de Contas, que resultou na prisão preventiva do presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida. A decisão foi assinada pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que apontou Sérgio Ricardo como o líder de um sofisticado esquema de desvio de recursos públicos e fraudes em contratos milionários.
A investigação trouxe à tona detalhes cinematográficos sobre a atuação do grupo. A PF identificou R$ 75,8 milhões em movimentações financeiras suspeitas. O esquema envolveria favorecimento de empresas, contratos superfaturados e o uso de uma espécie de “folha de pagamento paralela” no tribunal, desenhada para liberar pagamentos avulsos para conselheiros e servidores contornando o sistema oficial.
Mochilas de dinheiro, cavalos e ostentaçãoOs relatórios do STJ revelaram um impressionante volume de dinheiro em espécie circulando entre os suspeitos. Apenas nas contas ligadas ao presidente da Corte, foram identificados 150 saques em dinheiro vivo que, somados, chegam a R$ 15,6 milhões. Câmeras de segurança em agências bancárias flagraram operadores financeiros — incluindo um ex-cunhado de Sérgio Ricardo — entrando com mochilas vazias e saindo com elas estufadas de notas.
Segundo os investigadores, as empresas precisavam “devolver” parte dos valores recebidos pelo TCE para garantir a manutenção dos seus contratos. O dinheiro desviado era então lavado por meio de holdings patrimoniais e até mesmo de uma empresa de criação de cavalos. Durante as buscas, a PF apreendeu verdadeiras pilhas de dinheiro em espécie, além de coleções de relógios de alto padrão e carros de luxo.
Cúpula do TCE-MT afastada Além das seis prisões preventivas expedidas, o ministro Og Fernandes determinou o afastamento cautelar de outros conselheiros. Entre eles está o corregedor-geral, Antonio Maluf, além dos conselheiros Alisson e Novelli. No caso de Maluf, a investigação apurou o recebimento de R$ 10,6 milhões por meio de 64 ordens bancárias avulsas. Ao todo, o STJ cita que até sete conselheiros e ex-conselheiros podem ter recebido pagamentos suspeitos de propina.
A operação cumpriu 26 mandados de busca e apreensão em três estados brasileiros. Em nota, o TCE-MT, assinado por seu vice-presidente, informou que adotará todas as providências para cumprir a ordem judicial e suspendeu temporariamente os prazos processuais para reorganização administrativa.

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